O que é Hipnose?

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Hipnose é tão antiga quanto a humanidade. Já ouviram falar em papiro? Papiro é originalmente uma planta, mas que o pessoal lá do Antigo Egito em 2500 ac. usam para escrever! Existem registros ligados à hipnose e ao estado hipnótico (o famoso transe hipnótico), já nestes papiros. Ou seja, faz muito tempo!

Mas o que seria hipnose? Estado hipnótico? Transe? Essas coisas todas?

Existem muitas explicações para tudo isso. Um dos motivos para tantos conceitos diferentes é que ao se tratar da mente e de experiências tão pessoais, fica impossível definir criando uma regra ou uma definição final. Então, a primeira coisa importante para assistir este vídeo é: deixe suas crenças de lado e prepare-se para entrar em um novo mundo, com novas possibilidades e esqueça palavras como “sempre”, “todas as vezes”, “com certeza”, porque hipnose, e tudo que envolve hipnose, depende.

Mas não é porque não existem regras absolutas que podemos sair aceitando tudo que está na internet como verdade. Tem muita besteira por ai e muitos conceitos destorcidos e sem contexto. Para começar, podemos, por exemplo, pegar o conceito de um dos maiores nomes da hipnose moderna: Milton Erickson. Se você quer saber tudo sobre Milton Erickson, fique de olho em nosso canal porque na próxima quinta-feira, teremos um novo programa que vai mostrar tudo sobre a história da hipnose e seus principais nomes.

Milton Ericson diz que:

“Hipnose é um estado alterado de consciência no qual o conhecimento que você adquiriu durante toda sua vida e que você usa automaticamente torna-se, de repente, disponível.”

Vamos entender o que Erickson queria nos dizer com isso. Estado Alterado de consciência é tudo aquilo que não é estão normal de consciência. E o que seria nosso estado normal de consciência?

Nossa consciência normal é externa, difusa, está o tempo todo oscilando. Nossos mecanismos cognitivos como: atenção, memória, sensações, percepções… estão todo o tempo imersos em milhares de estímulos e precisamos escolher qual estímulo perceber. Por exemplo: você está lendo este texto agora, mas se prestar atenção, vai ver que existem vários barulhos em sua volta: pessoas, sons, talvez carros passando… Agora você percebe isso, mas antes não percebia porque a sua atenção seletiva permite que você elimine uns estímulos (neste caso os sons externos) para prestar atenção em um estimulo apenas (neste caso, presta atenção no que eu estou dizendo).

Este é o nosso estado de consciência. Tudo que for diferente disso é um estado alterado de consciência. Quando estamos em hipnose – ou no famoso estado hipnótico ou transe – nossa atenção está voltada pra dentro. O Hipnotista direciona a atenção do seu cliente para seus sentimentos, pensamentos, medos, vontades, desejos.

E como o Hipnotista consegue realizar esta mudança atencional?

Simples: Comunicação e sugestão

E não digo apenas da fala, mas tudo que comunica. Existe a linguagem verbal (tudo que falamos), a linguagem escrita (tudo aquilo que escrevemos) e a linguagem não verbal. Tudo comunica, um gesto, um tom ou tigre de voz, roupas, a atmosfera de um ambiente como as luzes, cheiros, tudo. Tudo comunica, tudo sugere alguma coisa.

Durante o processo hipnótico, o Hipnotista usa da comunicação para sugerir ao cliente um estado de relaxamento em que sua atenção será voltada para dentro. Sugerir um estado alterado de consciência, internalizado, imaginativo, hipnótico!

Esta mudança do foco atencional que geralmente está voltado pra fora, e que, rapidamente se volta para dentro, causa mudanças no corpo e na mente.

A principal mudança é que começamos a ativar de forma mais enfática, áreas do cérebro voltadas mais para o emocional, o imaginativo, e menos para o racional. Neste momento, acontece algo muito interessante que o Hipnotista usa em seus tratamentos ou em suas demonstrações de palco ou de rua. Quando o cliente começa a entrar neste estado mais imaginativo, o senso crítico é rebaixado.

Hummmm… mas o que é senso crítico?

A palavra “crítica” vem do Grego “kritikos”, que significa “a capacidade de fazer julgamentos”. Senso crítico significa a capacidade de questionar e analisar de forma racional e inteligente.

Esta capacidade de criticar depende de uma série de processamentos cognitivos da nossa mente e é por isso que por exemplo, não aceitamos comer uma cebola só porque alguém disse que é uma maça. Você consegue olhar pra cebola, acionar uma série de memórias, conceitos, experiências em sua mente e quase imediatamente criticar o que foi dito, identificando o tal objeto como cebola e não maça.

No entanto, em transe, a pessoa tem a capacidade de criticar reduzida e por isso pode aceitar sugestões de forma muito mais intensa.É isso mesmo, eu disse pode aceitar. Não são todas as pessoas que, em transe, aceitam qualquer tipo de comando.

Se comer uma cebola não é nada que “fere os princípios” de uma determinada pessoa, em trane, quando o Hipnotista dá a ela um objeto dizendo que é maça, ela vai abrir os olhos e vai comer o objetivo vendo, sentindo, cheirando, provando, experimentando de todas as formas, uma maça, mesmo que o objeto em questão seja uma cebola. Mas só se, comer cebola, não for contra os princípios, valores, crenças desta pessoa.

O nosso inconsciente sempre nos protege.Sempre. E portanto, mesmo em transe profundo:

1- Você não vai contar seus segredos;
2- Você não vai fazer nada que não queira… nada que for contra seus princípios, suas crenças e seus valores;
3- E claro, você não vai ficar preso em transe. Nunca. Transe é só relaxamento,. Então você no máximo dormiria, acordando naturalmente ao seu tempo.

Então resumindo até agora, vimos que hipnose é nada mais que um estado alterado de consciência em que estamos voltados para dentro, para nossos valores, princípios, nossos sentimentos, medos, desejos. Esta mudança causa um estado mais imaginativo, menos crítico e com isso nosso senso critico é rebaixado.

Mas pra que serve este rebaixamento? Só pra colar a mão? Esquecer nome? Comer cebola?

De forma alguma. Hipnose é muito mais quer isso. Pode ser muito mais importante, muito mais poderosa e muito mais produtiva. Com o rebaixamento do senso crítico, acessamos uma parte muito importante da nossa psique: a mente inconsciente.

Lembra que eu chamei a sua atenção para os barulhos que estavam acontecendo ai do seu lado e que você não percebia? Na verdade estes ruídos e todos os estímulos que você não percebe neste momento, estão sendo recebidos pela sua mente. Isso é chamado de sensação. Mas apenas uma pequena parte destes estímulos estão sendo percebidos, o que chamamos de percepção.

Veja este exemplo: você consegue sentir sua roupa tocando a pele agora se eu pedir. Imagina como seria se você sentisse sua roupa o tempo todo no corpo?

Outro exemplo: Você sabia que enxergamos o nosso nariz o tempo todo? É isso mesmo. Repara! Mas esta informação não chega conscientemente, e damos um jeito de eliminar a imagem do nariz para podermos enxergar as coisas!

Uma pessoa em transe pode acessar tudo isso, acessar não apenas o que foi gravado na memória consciente, mas também todos os estímulos inconscientes.

Seria mais ou menos assim. Se eu te pedisse para me contar como foi este momento agora, você assistindo este vídeo, normalmente você se lembraria de tudo que foi conscientemente registrado, as coisas mais obvias. Em transe, você poderia descrever este mesmo momento lembrando-se da sensação da sua roupa, dos mínimos sons e ruídos, da imagem do seu nariz…!

Importante perceber que em nenhum momento falamos de inconsciências. Durante o transe as pessoas ficam conscientes, apenas mais relaxadas e focadas, mas acordadas, sabendo onde estão, sentindo o mundo em sua volta (em menos intensidade), mas cientes dos seus atos.

A hipnose é tão poderosa porque consegue criar um estado de consciência que permite mudar conceitos, mudar pontos de vista, mudar ideias e valores. Claro, se a pessoa quiser. Hipnose é permissiva Se você não quiser, não acontece. E mesmo acontecendo, se você não quiser aceitar determinada sugestão, simplesmente não vai funcionar Por isso se chama sugestão, você pode aceitar ou não.

Resumindo, hipnose é qualquer forma de comunicação em que o Hipnotista guia a atenção do cliente para dentro, criando um estado alterado de consciência. Esta mudança mental gera um rebaixamento do senso critico tornando possível uma comunicação mais direta com o inconsciente. O objetivo terapêutico disso é fazer as mudanças mentais que o cliente deseja, criando novos caminhos a serem trilhados, dando ao cliente novas formas de enxergar o mundo!

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